Festa do Bom Jesus reúne 40 mil pessoas em 10 dias de evento

Por Jaqueline Ronsani
08/08/2018 09:31

Quando o sino tocou anunciando a saída do Bom Jesus de Araquari de dentro do Santuário, eles já estavam lá, do lado de fora, aguardando a imagem na qual depositam sua fé para acompanhá-la durante a procissão. Alguns esperavam descalços, outros trajando o manto do Bom Jesus e ainda os pequenos caracterizados de anjos. Cada um a sua maneira, mas, todos com o mesmo propósito, agradecer pela graça recebida. 

A festa do Bom Jesus de Araquari é realizada a mais de 160 anos, desde que a cidade era chamada de Freguesia do Bom Jesus. Faz parte da tradição do município e já entrou até no calendário turístico do Estado. “A festa começou no dia 28 de julho com as novenas e seguiu até essa segunda-feira, 6 de agosto, sendo encerrada com a procissão. É uma festa centenária e faz parte do turismo religioso de Araquari”, diz o secretário de Turismo, Esporte e Lazer, Paulino Sérgio Travasso. 

A organização do evento contabilizou uma média de 40 mil pessoas, em todos os dias de evento. Pessoas como dona Lídia Maria da Costa Oliveira que participa do evento há 60 anos, desde que tinha apenas 2 anos de idade e segue firme, porque fé e gratidão não faltam: “Olha, já tivemos bastante graça do Bom Jesus atendida. Eu tinha o Pedro João, com uma sinusite muito grande. Levei no médico e o médico disse que não tinha cura. Aí o trouxe com 10 anos no Bom Jesus e fiz uma promessa que eu ia as nove novenas. E ele ficou curado e até hoje ele não tem nada, o Pedro João que é meu filho, está com 20 e poucos anos”.

Além do filho, conta que foi agraciada várias vezes: “E também tive a graça do meu marido que tava na UTI muito mal, no mês retrasado. Desenganaram ele. Eu vim aqui  e pedi ao Bom Jesus que ajudasse, que salvasse ele e eu viria a novena. E sempre eu rezo pro Bom Jesus e recebi várias graças, muitas graças mesmo”. 

E se ela pensa em um dia deixar de vir a festa? A resposta é imediata: “Todas as festas eu vou continuar vindo e rezando por muita gente também que precisa. A gente recebe todo dia uma graça, é só ter fé”.

Dona Lídia mora em Araquari. Mas, não é só ela que tem muito a agradecer. Terezinha Crispim nasceu em Araquari, porém, atualmente mora em Joinville e fez questão de vir à festa. “Aqui eu recebi graça por meu filho. Quando ele tinha três anos de idade, ele tinha muita pontada de pneumonia e eu pedi pra Jesus que se ele curasse meu filho eu o vestia com o manto do senhor e vinha aqui na procissão”. 

Há 25 anos ela marca a presença no evento e pretende continuar vindo: “Eu já disse pro meu filho: se eu tiver o poder da graça de ficar velhinha que me traga numa cadeirinha de roda, me empurra na procissão, porque eu tenho muita fé”. 

Janete Carvalho Salles Mendes veio de Barra do Sul e trouxe a família e amigos. “Faz 25 anos que eu venho.Todo ano, toda procissão, a gente comparece. Primeiro quem trouxe a gente pra cá foi a minha sogra que hoje é falecida. Ela acreditava muito e tinha muita fé. E através dela nós já tivemos algumas curas. E tenho um filho de 23 anos que também foi agraciado com a benção aqui em Araquari. Então, todo ano se possível, a gente vai comparecer”. 

Silvana Borba dos Santos também frequenta a festa desde criança. Tem até uma recordação em casa, uma foto dela pequena em frente do Santuário, com o manto do Bom Jesus. Fruto de uma promessa que a mãe fez, após a menina Silvana ter sofrido um acidente.  Esse ano, o tio fez uma promessa e os homens da família vieram com ele a pé de Joinville até Araquari e ainda participaram da procissão. E hoje é a filha que se veste de anjinho, mas, não por ela, ou por alguém da família. Por uma causa, ainda mais nobre: “Na verdade é uma mãe que eu nem conheço. Ela fez uma promessa que se a filhinha dela se recuperasse que ela ia pedir pra algumas crianças se vestirem de anjo e acompanhar a procissão. Inclusive tem outras crianças espalhadas pela festa vestidinhas com essa mesma roupinha que essa mãe fez.E a gente está fazendo o que essa mãe pediu”, conta Silvana.

Além delas, inúmeras pessoas demonstravam a gratidão ao Bom Jesus ao longo da caminhada, levando nas mãos velas que protegiam para manter a chama acesa; nos pés descalços tocando o calçamento a  certeza de uma cura e nos cânticos, o amor pela religião. 

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